terça-feira, 4 de dezembro de 2012
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Ode ao gato
Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco se foram
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo pintas, graça vôo.
O gato,
só o gato apareceu completo
e orgulhoso:
nasceu completamente terminado,
anda sozinho e sabe o que quer.
O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente quisera ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para andorinha,
o poeta trata de imitar a mosca,
mas o gato
quer ser só gato
e todo gato é gato do bigode ao rabo,
do pressentimento à ratazana viva,
da noite até os seus olhos de ouro.
Não há unidade
como ele,
não tem
a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa
só como o sol ou o topázio,
e a elástica linha em seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de uma nave.
Os seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para jogar as moedas da noite .
Oh pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
cheirando,
desconfiando
de todo o terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.
Oh fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso, ginástico
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
dos quartos,
insígnia
de um
desaparecido veludo,
certamente não há
enigma na tua maneira,
talvez não sejas mistério,
todo o mundo sabe de ti e pertences
ao habitante menos misterioso
talvez todos acreditem,
todos se acreditem donos,
proprietários, tios
de gato, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos do seu gato.
Eu não.
Eu não subscrevo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e o seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica
o gineceu com os seus extravios,
o pôr e o menos da matemática,
os funis vulcânicos do mundo,
a casca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro,
o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou na sua indiferença,
os seus olhos têm números de ouro.
Pablo Neruda
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Carambolas, está todo mundo Obama hoje? Tenho a ligeira impressão de que mais da metade não acompanha nada sobre isso. O que comprova a minha tese de ser-humano-bovino. Um boizinho começa a correr para um lado, os outros desavisados vão juntos. Fiquei parada na sombra esperando o rebanho passar para entender...
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
O povo anda dizendo: festa em clima artsy, só te visito depois da novela, estou stalker (what?), como assim você não conhece o maracangalha? Acho digno (detalhe: para tudo), ela é uma celebrity chef! Ando me sentindo em páginas da Vogue Brasil volta e meia. Será que não rola um mix Bravo / Super Interessante / Livro de receita / edições antigas da seleções reader' s digest / biografia de um roqueiro falido / fui catar coco no coqueiro. Estou cansada, toparia um papo bula de remédio fácil hoje. Em tempo: bem bonitas as telas do Luiz Zerbini no Mam!
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Pica-paus
um tronco poema feliz
muitos risos e bicos abertos
para seus olhos fixos
um astronauta pousou
da terra para os céus
invisível em seu ninho.
um passarinho ronronador
avistou o astronauta e seu capacete.
sem antecipar o significado,
olharam- se, apenas a existir.
um tronco poema ficou por um triz.
a primeira e última essência
trouxe a natureza ao pé de ti.
retornarei a janela
a escancará-la,
pedirei silêncio aos guardadores
mesmo com as arvores nuas.
lá descansam anjos
um macho de topete vermelho e outro de olhos cor de mel.
ainda bem,
os pássaros machos se reconhecem
e as fêmeas saem por aí, batendo pés e asas
todas prosas, admirando seus feitos.
17 SET 2012
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Oração de uma sexta-feira:
Deus da programação noturna de shows animados, fazei com que dois ou mais shows não aconteçam nas sexta-feiras.
Pelo sinal do santo P.A, livrai-nos, Deus da música e meu senhor, das pessoas chatas que circulam em eventos weekendianos, falando alto durante shows, lotando os lugares, causando filas, todas com hormônios enclausurados, prestes a explodir.
Mic nosso que estais ligado, santificado seja a vossa lista amiga, vem a nós poucos convites de eventos no facebook, seja feita a vossa seleção assim na caixa de e-mail como no inbox.
O espaço a frente do palco nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai Jorge Ailton que manda mensagem do murinho da urca, enquanto trabalho. Assim como nós perdoamos as latas de cerveja nas mãos daqueles que trabalham durante a semana toda e só saem às sextas-feiras e os outros músicos que viajam a trabalho em dias como este, Thaís Motta.
`Aqueles a quem ligamos `as 4 da manhã, Lancaster Pinto e Luiza Souto, não nos deixei cair em tentação, e "livrai-los" do toque de celular. Aos que ligam na madrugada do celular de outros, Juliana Colussi e Giulia Borges que não percam seus aparelhos.
A vós, programador de shows, recorro, cheia de confiança, e solicito o vosso patrocínio. Pelo laço sagrado de caridade que vos uniu às rugas que brotam abaixo de meus olhos.
Amparai a cada um de nós, principalmente Cris Barreto, que está de férias, com o vosso constante patrocínio, a fim de que, sustentados com o vosso auxílio, possamos assistir a shows virtuosamente, sem estresse, socos e pontapés do baladeiros de fim de semana. E quem sabe até encaremos um karaokê.
Salve as segundas, terças, quartas e quintas-feiras, mães da misericórdia de quem odeia lugar cheio e gosta de respirar entre uma música e outra.
Eu me ofereço inteiramente toda a vós e em prova da minha devoção para convosco.
Pois Nouvelle Vague, Banda Black Rio e Zé Ramalho no mesmo dia é excesso. E o mundo está excessivo demais!Amém
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