Estava na minha caixa de e-mail hoje:
No que você está pensando agora?
http://euescrevoeteconto.blogspot.com/2009/09/every-move-i-make.html
fico devendo direitos autorais.
beijos!
Julia
Fui lá, abri o blog que tento ao máximo acompanhar, e vi mais uma vez que a Cabelo, sim, fiquem todos sabendo, a Cabelo, Hair e Julieta, continua com suas garras afiadíssimas, coloca no papel, ops, no teclado, edita, posta, dá o maior trabalho. Sei, pois já tentei ter um blog e sempre, acabo voltando aos meus intermináveis cadernos, folhas soltas e guardanapos de bar.
Então, depois de ler o texto que transcrevo aqui em baixo, afinal, não é todo mundo que vai clicar em cima do link que coloquei...Talvez ele nem esteja funcionando. Ficou algum sublinhado nele? Está azul? Na dúvida se seria trabalhoso demais copiar e colar o endereço, colei o texto todo.
Pois eu, nada sei de Farmville, acabo sucumbido a quiz, prefiro responder mensagens inbox e esse facebook não funciona mais como antigamente.
Tomei coragem, ignorei sem saber se a pessoa ignorada saberia, sim ignorei alguns pedidos de amizade no facebook, retirei algumas pessoas, nada muito pessoal, mas digamos que decidi deixar mais íntimo esse espaço.
E começo a campanha: antes de tentar adicionar no Facebook, ao menos uma vodka tens que tomar em minha companhia, algum sorriso verdadeiramente cumplice devemos ter trocado.
Espero que o texto da Julieta, tenha causado algo em vocês, como aconteceu comigo, pois assim que postar essa mensagem, voltarei para os meus cadernos, meus cigarros e anotações nas orelhas de livro. Boa semana aos sobreviventes da minha lista de amigos no facebook!
"DOMINGO, SETEMBRO 20, 2009 Every move I make
Eu sei que no teste dos bares cariocas o Gustavo é o Bar da Praia e o Rodrigo é o Palaphitas (pfff), sei que a Fabi quer que o Acaso chegue e que o Kiko achou o jogo de futebol feio a ponto de não querer mais assistir nenhum. Sei que a Julia precisa de ajuda no jogo de Máfia Wars (que até hoje eu não sei o que é), que o Thiago adora a Elizeth Cardoso e que a Ritinha lembrou-se, graças a mim, que "D’yer Maker" é daquelas músicas que dá pra deixar no repeat por cinco horas seguidas. A Biba, se fosse uma roupa, seria um conjunto de lingerie (sexy), a Raphaela ta vendo o Emmy, a Biela sobreviveu ao casamento de ontem, a Cissa ta muito feliz porque casou (ontem), o Léo é flamengo até em Lima e o Bruno ta indeciso entre 3 nomes de mulheres que não fazem sentido nenhum pra mim. A Guga renovou sua playlist no ipod, a Carla convidaria o Kenny (entre outras pessoas mortas) para jantar, a Isa ta felizzzzzz com muitos “z”, a Adriana perdeu seu nextel. Eu sei que a Olivia também seria o Palaphitas na categoria barzinho do Rio (desde quando o Palaphitas é “barzinho”?), a Eduarda seria o Jobi (assim como eu), a Betinha se perdeu na liquidação da Livraria da Vila e a Bruna ta indo pra Hanói (com outra Julia). Eu sei que a Anita não está entendendo nada da venda de ingressos pro festival do Rio, a Bebel não conseguiu falar com a Inês no dia do aniversário dela (nem eu, até porque eu nem sabia), sei que o Eduardo queria saber desenhar, que a Maíra quer falar com a Luiza e que a Joana ama Bloody Mary. Eu sei que a Carol achou o final de "True Blood" bem ruinzinho. Eu sei que a Madá está pensando na vida, que o Chico quer ser Zé Mayer em uma outra e que o Augusto também pensa que o tempo é mercúrio cromo. Sei que o Manel gosta de “Kind of Blue” e que o Felipe deseja que durmamos bem ao som de John Coltrane (dormiremos). Eu sei que a Jô desejou Feliz Ano Novo pra Nicola, que o Antonio sempre lê "The Economist", que a Camila não sabe se compra um carro ou aluga uma casa. Eu sei que a Mel precisa de uma mandinga branca, que a Ana tá com saudades da Maína e que a Evelyn não tem forças nem para abrir uma Vogue. Toda essa gente deve saber que andei comprando pneus, que planejei explodir o Detran, que tenho frequentado festas onde tocam Ace of base e C&C Music Factory (e que portanto planejo comprar um par de tênis Keds e usar perfume CK One). Toda essa gente deve saber que de fato escuto no repeat há cinco horas seguidas aquela música porque seriously: you don't have to go e a gente pode beber duas jarras de sangria por noite até pra sempre. Toda essa gente sabe que quero ficar sedada, que estou cabeloless e que voto Paulo Borges para presidente. Toda essa gente sabe que eu perdi a lixeira do meu desktop já faz quase um mês e ninguém consegue resolver esse mistério. E eu pensando que o Facebook seria útil nesses momentos de aperto..."POSTED BY JULIETA AT 11:21 PM 4 COMMENTS
p.s. O facebook não aceitou um post tão grande, vai ver que o assunto era bobo demais, então vim parar aqui novamente.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
pensando nisso me enviaram...
Elegância
(Toulouse Lautrec)
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição....
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza... atitudes gentis falam mais que mil imagens...
Abrir a porta para alguém...é muito elegante
Dar o lugar para alguém sentar...é muito elegante
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Oferecer ajuda...é muito elegante
Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras". Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura.
(Toulouse Lautrec)
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento. É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam. Nas pessoas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante você fazer algo por alguém, e este alguém jamais saber o que você teve que se arrebentar para o fazer...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição....
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto. Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
É elegante a gentileza... atitudes gentis falam mais que mil imagens...
Abrir a porta para alguém...é muito elegante
Dar o lugar para alguém sentar...é muito elegante
Sorrir, sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Oferecer ajuda...é muito elegante
Olhar nos olhos ao conversar, é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural pela observação, mas tentar imitá-la é improdutivo. A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que "com amigo não tem que ter estas frescuras". Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Esse caso têm me consumido
Essa coisa meio antiga num pedaço de papel,
tem uns meses...
faço de tudo para não sair de casa,
as contas vencidas me encaram de boca aberta
esse caso tem me consumido
na janela do ônibus
os carros passam, todos parados
Tanta gente maluca por vaidade
tanto maluco tentando esconder a idade
tanta gente maluca por dinheiro
e eu pensando em ir ao puteiro
Tanta gente maluca por juventude
outra gente na inquietude de fazê-la desaparecer
Os carros param, todos andando
tanta gente lúcida se embriagando
se esquecendo das fantasias
alimentando agonias
de se comprometer com a verdade
Tanta gente careta criando personagens
quase sempre malucos por poder
quase nunca satisfeitos ao adormecer
tanta gente esquecendo de ser a gente
só porque esse caso tem me consumido
de boca aberta e portas semi cerradas
no meio de toda essa gente
MK
tem uns meses...
faço de tudo para não sair de casa,
as contas vencidas me encaram de boca aberta
esse caso tem me consumido
na janela do ônibus
os carros passam, todos parados
Tanta gente maluca por vaidade
tanto maluco tentando esconder a idade
tanta gente maluca por dinheiro
e eu pensando em ir ao puteiro
Tanta gente maluca por juventude
outra gente na inquietude de fazê-la desaparecer
Os carros param, todos andando
tanta gente lúcida se embriagando
se esquecendo das fantasias
alimentando agonias
de se comprometer com a verdade
Tanta gente careta criando personagens
quase sempre malucos por poder
quase nunca satisfeitos ao adormecer
tanta gente esquecendo de ser a gente
só porque esse caso tem me consumido
de boca aberta e portas semi cerradas
no meio de toda essa gente
MK
Quero cuidar mais de mim
e me perco no caminho
de uma vontade de cuidar de ti
nesse meio tempo parado
fujo pra outros papéis
rasgo documentos alheios, reviro caixas
e nada é feito
fica tudo bagunçado assim
me assusta e atormenta
pisar nessa ponte
sem saber se quero atravessar
cair, levantar
Quero a leveza
mas se é pedra dura e incerteza
o que está por vir
topo encarar de frente
mesmo que seja somente
por um prazer insano, inconsequente
de te ver sorrir
MK
e me perco no caminho
de uma vontade de cuidar de ti
nesse meio tempo parado
fujo pra outros papéis
rasgo documentos alheios, reviro caixas
e nada é feito
fica tudo bagunçado assim
me assusta e atormenta
pisar nessa ponte
sem saber se quero atravessar
cair, levantar
Quero a leveza
mas se é pedra dura e incerteza
o que está por vir
topo encarar de frente
mesmo que seja somente
por um prazer insano, inconsequente
de te ver sorrir
MK
quarta-feira, 4 de março de 2009
sem tradução
O fato é que você disse que não sabia o lugar reservado ao desejo
e nessa permaneci,
a espera, sabendo que não voltarias,
não respiravas mais o mesmo ar.
Quisera eu carregar alguma culpa,
mas não, vivi!
Não me vingo,
quero a sua paz.
Esse preço é para poucos,
está estampado em cada sorriso
em cada gozo verdadeiro
Dormir sem inimigos
o preço da paz
de um enterro longo
puxando o ar a cada palavra
E sempre o tempo
a nos rodear
A cada dia tens menos tempo
sei que percebes,
e nada fazes
Por mim tudo bem,
continuo fazendo.
Continuo gozando.
MK
e nessa permaneci,
a espera, sabendo que não voltarias,
não respiravas mais o mesmo ar.
Quisera eu carregar alguma culpa,
mas não, vivi!
Não me vingo,
quero a sua paz.
Esse preço é para poucos,
está estampado em cada sorriso
em cada gozo verdadeiro
Dormir sem inimigos
o preço da paz
de um enterro longo
puxando o ar a cada palavra
E sempre o tempo
a nos rodear
A cada dia tens menos tempo
sei que percebes,
e nada fazes
Por mim tudo bem,
continuo fazendo.
Continuo gozando.
MK
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Macumba existe?
Pensei em ligar, acordei de um pesadelo bem estranho, são cinco e meia da manhã e a cama está com cacos de vidro, e meus instintos já me disseram do que se trata, quase como uma certeza de bicho quando é encurralado, então ele pensa, sim eles pensam, de um modo ou de outro eles percebem que ou serão devorados, ou terão que atacar.
Pois bem, deve ser essa a sensação que está tentando sufocar o peito, e a macumba que alguém fez vai ter que sair de casa agora.Me lembro da última macumba que fizeram para mim, a volta foi tão forte que passei a acreditar mais em alguma possibilidade de existir.Naquela ocasião um de meus olhos ficaram em sangue, derramado entre os espaços da córnea, e assim permaceceu, cortado, durante uma semana.Mas a macumba voltou, sem que eu fizesse nada, e o marido de quem encomendou, ou executou a macumba, até hoje não sei ao certo se isso faz alguma diferença, teve um infarte, e lá estava eu arranjando os melhores médicos para o homem.
Hoje a coisa foi diferente, dormia, após assistir Godspell e em sonhos me teletransportei para dentro do musical.
O nosso grupo viajava em um ônibus grande.Era uma diversidade de pessoas, de todas as idades, o mais novo, Demétrio, sentado ao lado do pai. Aos três anos, tinha voz grave e impostada demais para a idade.Estavámos a caminho de um show, na TV passavam as músicas do conjunto, era uma espécie de concurso, ou processo seletivo para fazer parte desse musical.
Estávamos todos no ônibus, crianças, velhos, jovens cantores e Vivian, ao meu lado, uma menina de nove anos, esperta, morena em longos cabelos negros, de um olhar denso que escondia uma tristeza funda e uma dúvida, dessas que vivem numa variante X ou Y.
Paramos no local do show, todos desceram lentamente, e aos poucos a quantidade de pessoas aumentava, o que trazia um estado constante de atenção para não perder as crianças em meio a multidão.
Sabia que estavas lá, talvez fosse o acerto de contas, se é que poderia chamar assim o encontro de duas almas que mal se conhecem e se amam tanto.
- Nossa você era mais alto antes de eu desmistificar o que aconteceu com a gente.
Ela é covarde dizia uma das moçoilas que dançavam ao seu lado.
E ele, ele estava lindo, assim que começaram a cantar e apresentar a canção, somente a voz e a percurssão de seu corpo entravam pelos meus ouvidos. O Frances estava falando português e ao fim do show, beijo sua mão, te dizendo nos nossos corações para ir embora, em paz, sem maiores cortes e cicatrizes, sem uma palavra, apenas o doce olhar de quem ama demasiadamente o seu espírito.Foi um beijo nas mãos, nos olhos, ficamos testa com testa nos perdoando e aceitando que tínhamos que seguir em frente.Funcionou, fui embora, subi as ladeiras de terra molhada, sem olhar para tras. Sete passos a frente, relaxados, e o caminhar se trornou estranho, tão inexplicável quanto os cacos de vidro que estão em minha cama agora, na palma das minhas mãos. Desci correndo para ver se te avistava, o resto do ambiente estava escuro e as pessoas que estavam no ônibus, caminhavam todas em direção contrária, subindo, procurando suas novas casas ou então voltando para o ônibus querendo seguir em frente, rumo ao sonho do musical.
Mas eu voltei, você estava entre um pequeno espaço de meus olhos, e como eu tinha um jeito de disfarçar que te via, fiz isso, te vi, pela última vez do jeito que criei, naquele momento quis ir embora, virei e ouvi seus olhos nas minhas costas, os mesmos olhos doces e diretos e o alvoroço das moçoilas não entendendo como eu poderia dar as costas.
Passamos mais uma noite juntos, falávamos a mesma língua e esse não seria mais um empecilho, não estaríamos mais perdidos nas nossas traduções.
E o sonho sem avisar mudou de cena, entrou alguém em minha casa para me acordar.
O homem que mandaram me visitar, entrou, abriu a geladeira, eu e o cão escutamos peguei um canudo de papel longo e permaneci a espera dele, claro que a minha arma não era das mais violentas, mas foi a única coisa que consegui alcançar, algo em meu corpo estava paralizado, ouvia os passos firmes de uma bota pelo corredor, eu na minha fala enrolada, como de um surdo mudo tentando falar e salvar-se, pois bem, não consegui ver a face dele, entrou no banheiro, lavava algo na pia, talvez uma faca, eu me revirei na cama e não consegui atacá-lo antes que ele o fizesse.Estava travada, agoniada, ele aparecia e se escondia, gordo, branco de cabeça raspada, bem barrigudo, parecia um daqueles chauvinistas vindo não sei de onde.
Pânico total e eu sem conseguir me mexer.
Acordei assustada, o homem ainda está aqui.Mando ir embora, ele se esconde, mas sinto a sua respiração.
Os pequeninos cacos de vidro se desfazem ao tocá-los, o ar rarefeito, a lingua dormente denucia
como a batalha foi verdadeira.Acendo um defumador e aceito que só dormirei quando ele for embora.
Não há espaço para violência mais em meus sonhos, deixem as crianças correndo pelas ladeiras e cantando nas estradas dentro de um ônibus, com seus fones de ouvido, vestidos coloridos e algumas caras emburradas diante da felicidade delas.
O sono veio novamente e se o duelo for travado, não vou fugir!
MK
Pois bem, deve ser essa a sensação que está tentando sufocar o peito, e a macumba que alguém fez vai ter que sair de casa agora.Me lembro da última macumba que fizeram para mim, a volta foi tão forte que passei a acreditar mais em alguma possibilidade de existir.Naquela ocasião um de meus olhos ficaram em sangue, derramado entre os espaços da córnea, e assim permaceceu, cortado, durante uma semana.Mas a macumba voltou, sem que eu fizesse nada, e o marido de quem encomendou, ou executou a macumba, até hoje não sei ao certo se isso faz alguma diferença, teve um infarte, e lá estava eu arranjando os melhores médicos para o homem.
Hoje a coisa foi diferente, dormia, após assistir Godspell e em sonhos me teletransportei para dentro do musical.
O nosso grupo viajava em um ônibus grande.Era uma diversidade de pessoas, de todas as idades, o mais novo, Demétrio, sentado ao lado do pai. Aos três anos, tinha voz grave e impostada demais para a idade.Estavámos a caminho de um show, na TV passavam as músicas do conjunto, era uma espécie de concurso, ou processo seletivo para fazer parte desse musical.
Estávamos todos no ônibus, crianças, velhos, jovens cantores e Vivian, ao meu lado, uma menina de nove anos, esperta, morena em longos cabelos negros, de um olhar denso que escondia uma tristeza funda e uma dúvida, dessas que vivem numa variante X ou Y.
Paramos no local do show, todos desceram lentamente, e aos poucos a quantidade de pessoas aumentava, o que trazia um estado constante de atenção para não perder as crianças em meio a multidão.
Sabia que estavas lá, talvez fosse o acerto de contas, se é que poderia chamar assim o encontro de duas almas que mal se conhecem e se amam tanto.
- Nossa você era mais alto antes de eu desmistificar o que aconteceu com a gente.
Ela é covarde dizia uma das moçoilas que dançavam ao seu lado.
E ele, ele estava lindo, assim que começaram a cantar e apresentar a canção, somente a voz e a percurssão de seu corpo entravam pelos meus ouvidos. O Frances estava falando português e ao fim do show, beijo sua mão, te dizendo nos nossos corações para ir embora, em paz, sem maiores cortes e cicatrizes, sem uma palavra, apenas o doce olhar de quem ama demasiadamente o seu espírito.Foi um beijo nas mãos, nos olhos, ficamos testa com testa nos perdoando e aceitando que tínhamos que seguir em frente.Funcionou, fui embora, subi as ladeiras de terra molhada, sem olhar para tras. Sete passos a frente, relaxados, e o caminhar se trornou estranho, tão inexplicável quanto os cacos de vidro que estão em minha cama agora, na palma das minhas mãos. Desci correndo para ver se te avistava, o resto do ambiente estava escuro e as pessoas que estavam no ônibus, caminhavam todas em direção contrária, subindo, procurando suas novas casas ou então voltando para o ônibus querendo seguir em frente, rumo ao sonho do musical.
Mas eu voltei, você estava entre um pequeno espaço de meus olhos, e como eu tinha um jeito de disfarçar que te via, fiz isso, te vi, pela última vez do jeito que criei, naquele momento quis ir embora, virei e ouvi seus olhos nas minhas costas, os mesmos olhos doces e diretos e o alvoroço das moçoilas não entendendo como eu poderia dar as costas.
Passamos mais uma noite juntos, falávamos a mesma língua e esse não seria mais um empecilho, não estaríamos mais perdidos nas nossas traduções.
E o sonho sem avisar mudou de cena, entrou alguém em minha casa para me acordar.
O homem que mandaram me visitar, entrou, abriu a geladeira, eu e o cão escutamos peguei um canudo de papel longo e permaneci a espera dele, claro que a minha arma não era das mais violentas, mas foi a única coisa que consegui alcançar, algo em meu corpo estava paralizado, ouvia os passos firmes de uma bota pelo corredor, eu na minha fala enrolada, como de um surdo mudo tentando falar e salvar-se, pois bem, não consegui ver a face dele, entrou no banheiro, lavava algo na pia, talvez uma faca, eu me revirei na cama e não consegui atacá-lo antes que ele o fizesse.Estava travada, agoniada, ele aparecia e se escondia, gordo, branco de cabeça raspada, bem barrigudo, parecia um daqueles chauvinistas vindo não sei de onde.
Pânico total e eu sem conseguir me mexer.
Acordei assustada, o homem ainda está aqui.Mando ir embora, ele se esconde, mas sinto a sua respiração.
Os pequeninos cacos de vidro se desfazem ao tocá-los, o ar rarefeito, a lingua dormente denucia
como a batalha foi verdadeira.Acendo um defumador e aceito que só dormirei quando ele for embora.
Não há espaço para violência mais em meus sonhos, deixem as crianças correndo pelas ladeiras e cantando nas estradas dentro de um ônibus, com seus fones de ouvido, vestidos coloridos e algumas caras emburradas diante da felicidade delas.
O sono veio novamente e se o duelo for travado, não vou fugir!
MK
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